09/03/2007 ..

Qual é a sua cor?



Ainda falando em jujubas e delicados, qual é a primeira bala que instintivamente você pega no saquinho? Quase todo mundo vai responder: a vermelha! Eu passei muito tempo pegando as vermelhas primeiro também. Mas outro dia, comprei no sinal de trânsito – adoro fazer compras no sinal – uma bala de goma que muito me lembrou as minhas saudosas jujubas e descobri que gosto mesmo das laranjas!

Imagine, passei anos lutando bravamente com os meus primos pela posse das vermelhas e agora descubro o que estava perdendo! A vida é mesmo engraçada nesses aspectos, as vezes a gente perde a chance de experimentar coisas deliciosas simplesmente porque não está aberto a tentar.

Acontece muito isso aqui no restaurante, mas nosso papel é tentar fazer com que as pessoas, pelo menos por algumas horas, tentem deixar as balinhas vermelhas de lado e experimentem as verdes, as laranjas, as branquinhas! E o quiabo defumado em camarão semicozido, está aí para não me deixar mentir!

Até!

07/03/2007 ..

Lembra da jujuba e do delicado?



Infelizmente hoje em dia não se encontram mais essas preciosidades nas prateleiras dos supermercados. Mas eu, romântica inveterada que sou, nunca deixo de procurar. Vai que o presidente da Kibon – se não me engano elas eram produzidas por eles – é o penúltimo romântico da face da Terra e resolve reeditá-las?

Foi assim com o Deditos, procurei durante anos e outro dia dei de cara com eles olhando para mim, pareciam dizer que, já que tínhamos nascido um para o outro, o tempo da espera não foi em vão!

Quem não lembra da jujuba e do delicado? Quem não lembra da diferença entre um e outro e na dificuldade que era escolher qual era melhor? Foram ícones de uma época que fizeram história e fazem parte das lembranças gustativas de muita gente. Dá para entender porque coisas assim simplesmente desaparecem da nossa vida da noite para o dia?

Por que nitrogênio líquido tem lugar na cozinha moderna e jujuba não? Relembrar, buscar referências emocionais no passado, tornar lúdico o ato de comer, essas são missões que a gastronomia se propõe a enfrentar todos os dias.

Jujuba, Deditos, Chicabon – esse, por enquanto parece intocável! – Delicado, Dadinho Dizioli, Paçoquinha, coisas assim deveriam ser consideradas patrimônio histórico da humanidade. Deveriam ser imortais, como os poetas, pois fazem parte da poesia diária que pode ser a nossa vida!

Até!



06/03/2007 ..

Sensações infinitas do cotidiano



O cotidiano está repleto de sensações gustativas interessantes. Resta saber se, com a correria dos nossos dias, estamos abertos a vivenciá-las ou sequer prestar atenção nelas!

Sensações gustativas são como caixinhas de presente: a gente abre sem saber o que vai encontrar. Mas o simples ato de desatar o laço, rasgar o papel, brincar com a descoberta, já nos transporta para uma outra dimensão. Quando encontramos o presente, seja ele qual for, já embarcamos na viagem e a sensação é ainda melhor!

Acordei outro dia e fui tomar o meu café preto diário. Acho lindo o termo café com leite, poético até, mas não encaro, gosto mesmo é dele puro, cowboy! Normalmente tomo uma xícara grande, com açúcar – os entendidos que me desculpem, mas o meu é docinho! – acompanhado dos meus inseparáveis cream crackers, ora com requeijão, ora com manteiga, ora com geléias, ora com marmelada – ganhei uma fantástica outro dia! Ou seja, farra pura todas as manhãs!

Nessa manhã encontrei um saquinho de pão dormido. O saquinho de pão estava delicadamente acondicionado dentro de um outro saquinho de plástico, pequeno detalhe técnico que não permitiu o seu ressecamento. Adoro pão dormido apenas com manteiga, não resisti! Cortei metade, passei manteiga, fechei, mordi e imediatamente tomei um bom gole de café preto. Poderia ter sido apenas mais um detalhe bobo do meu dia, mas não foi.

A sensação que me invadiu foi estonteante, o contraste de texturas, temperaturas, o sabor que a mistura gerou foram uma viagem absoluta. Viagem essa, fácil de embarcar se pararmos pelo menos para pensar no que estamos comendo. Pensar, refletir, questionar. Sem essas três coisas a gastronomia perde a graça, o poder, a razão de ser e de revolucionar. Procurar sensações infinitas faz parte da nossa vida e elas podem estar sim, nas mais corriqueiras cenas do nosso cotidiano, graças a Deus!


Até!











05/03/2007 ..

Cachorro-quente em fim de noite



O cachorro-quente tem história na minha vida. Tudo começou assim. Tenho um enorme carinho por ele e onde quer que eu vá experimento os mais variados tipos na procura pelo quase perfeito. Foi assim em Praga, Nova York, Paris e Milão, não importa onde você esteja, vai sempre haver um cachorro-quente certo para cada momento.

No sábado, tudo acabou em cachorro-quente na casinha laranja, no bom sentido claro! Filó foi trabalhar com a gente para não perder o costume! As emoções, claro, ainda estavam muito à flor da pele, mas a noite foi acontecendo e apesar de uma certa turbulência no inicio do vôo, aos poucos tudo parecia nunca ter se mexido. Estávamos ali trabalhando juntos, voando juntos mais uma vez e isso era o que importava.

No final da noite, quando todos já se aprontavam para ir embora, preparamos caladinhos na cozinha “SudDogs” - o cachorro-quente que figura no menu do Roberta Sudbrack - para a equipe e sentamos todos na mesa única para comermos juntos. Catamos todas as garrafas de champanhe, vinhos e o que mais achamos aberto na geladeira - e olha que nesses casos pode-se sempre encontrar preciosidades! Fazia tempo que não acontecia esses encontros, a correria do dia-a-dia as vezes acaba passando por cima de detalhes importantes como esses.

Mas tínhamos a Filó como álibi para a nossa farra e sabíamos dentro de cada um de nós que as emoções ainda estavam difíceis de digerir, então essa era uma boa desculpa! Como o meu papel é justamente pensar nas opções gustativas certas para os momentos certos, pensei: cachorro-quente! Esse é um momento cachorro-quente, por tudo o que representa.

E foi! Gargalhadas ecoavam pela casinha vazia, brindes, conversa fiada jogada fora noite à dentro. “Causos” engraçados envolvendo a Filó foram contados por cada membro da “Sudequipe”. Cada um tinha uma história divertida para contar, uma lembrança alegre para dividir do seu jeito. Todos se esbaldaram de cachorro-quente e alegria in natura, depois de uma semana difícil. Uma maneira diferente de colocar para fora emoções ainda contidas. Um enfoque diferente para um mesmo sentimento expressado através da singela presença do cachorro-quente nas nossas vidas.

Até!



2000-2006 Globo.com. Todos os direitos reservados.